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quarta-feira, 25 de julho de 2012

HIATO


Um bálsamo o coro da passarada a chilrear.
A manhã impõe-se sobre o relevo esbranquiçado
Abrindo com ferro e fogo incandescente
As cortinas que cobrem o mundo de cinza.
Descerrando-se no horizonte sobre mundos
Que principiam úmidos e  orvalhados
O sol triunfa com um pouso leve.
Mas o cinza, o cinza insistente e frio
Encerra-se com a solidão a portas fechadas.
E vence a escuridão,  onipresente,  onipotente e  onisciente,
de eternas noites que se arrastam geladas.
O sol irrompe e retinta outra aurora
E esta agora,  brancas mãos e dedos aflitos
de mais um mundo, um novo ventre que
não o de ontem, sangue, tinta e o grito.
O movimento circular, o tempo, o medo.
Da boca ávida o gole longo, a vida breve.
O viajante extenuado.
Mais uma aurora irradia indescritível espetáculo,
Outra e mais outra e tantas outras auroras
e  tantos outros sóis insistirão.
Mas, as pesadas cortinas estarão lá, sempre.
A escuridão,  onipresente,  onipotente e  onisciente.

Luciana de Castro Magalhães.
Go.28/06/2012.

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