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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A IMENSIDÃO LENTA DAS MINHAS HORAS


A vida na cidade grande me oprime
Não consigo encontrar o silêncio para ouvir o próprio pensamento.
O pulsar da vida em a vibração de um crime
Um grito espantoso e desesperadamente intenso
Visceral e cortante irrompe a garganta do gigante
Insano nascido doido de uma estúpida espera.
O clamor da solidão sem vento e brisa
Solidão quente de asfalto
Dentre os vãos dos dedos, caem quimeras
De tempo.
Horas, minutos, segundos...

Tudo escorre ou irrompe das feridas.
A eterna intensidade ou loucura.
Não consigo sorver o prazer do café
E ao pão ou fruto falta  o paladar, o gosto.
O fôlego some na saliva seca e confusa dos
Excessos.
Eu não sinto, não me sinto e nem pressinto.
Absinto e língua morta no cérebro cego.
Nada.
A intensidade é a apenas da pressa.
O sol nasce engolindo a lua e se põe rompendo-a.
Eu não celebro.
O sentimento não brota  ao observar a planta,
é o sentimento dos avessos, cruzes sem credos.
Uivos ressoam  por entre as ervas ribeiras
e  nascem como enredos escritos com sangue
e medo.
E o relógio congela o rio nos outdoors
Os relógios congelam as vidas nas telas
Os relógios congelam as vidas em  velas
Os relógios transformam s vidas em rios de cera
derretida.
O olhar não se perde na plenitude do dia,
ele se consome na insuficiência da guerra das horas.
Fragilidades, artificialidades, futilidades.
Não posso afagar um cão ou observar o beija-flor.
Eu tenho pressa.
Comentar Estrada Nova?
O que é, nesse frenesi, uma canção de amor?
Uivos, apitos, sirenes, buzinas?
Seriam ambulâncias, viaturas policiais,
carros desgovernados?
Estou tentando pensar o vazio do peito e das esquinas,
sentir sozinha a solidão da menopausa
no retorno irônico e dorido dos mênstruos do passado:
envelhecido, fugidio.
 Acabou? Apenas uma pausa? Um recado ao menos?
Não sei, a cidade não deixa saber.
Casas, comércio, luzes e  saneamento básico.
Cinema e prédios de apartamentos,
luxuosas casas de luzes vermelhas. Vermelhas?
Não. A cidade grande exibe milhões de cores
Milhões de shows, de espetáculos e  arco-íris.

Calor intenso, suor e lusco-fusco sobre as telhas.
E o relógio marca as horas em milhares de torres,
não importa quem morre.
Não se somam as dores, observam-se as cores
Mas sem enxergá-las.
Por que então, tanto e tanto se corre?
Daqui a pouco uma vala no asfalto será aberta.
Boca escancarada, ávida de uma vida apática,
de um tempo vão.
Um caminho inóspito, frio de medo, um cão morto.
Todos os pavores no retrato desbotado, os pés de chumbo.
Grudados aguardam: sinal vermelho, amarelo, verde.
Insistem e rumam para o deserto árido.
O fardo de ter vivido a eternidade de um tempo de sonhos
cimentados, amalgamados, concretados por um tempo

que passou como um relâmpago na cidade grande. 

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