É incrível como a hora da cidade grande, o relógio urbano se coloca, gratuitamente, como um inimigo imbatível. São 18:00hs. Movi a perna imóvel. Comprei o aparelho de telefone. Quebrou a linha. Não concluí o artigo. Inúmeros textos estão perdidos, espalhados pelos cantos, zoando em minha cabeça. Vísceras e espírito. Agora a voz não canta mais: fala, media, cansa. Estarão ouvindo? O que esperam de mim? Jovens que constroem carreiras, caminhos, projetos, sonhos e delírios num mundo cão. Por que a necessidade de manter todos os aparelhos ligados? Quantos e-mails não li hoje? Nenhum era importante. Nada é importante quando se é velho. Cabelos encanecidos, costas arqueadas. A TV está embaralhada e o dia acabou. O tarja preta? Ajuda esquecer daqui a pouco mais vinte e quatro horas que se foram.


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